A grande questão hoje em dia, perante o novo coronavírus (Covid-19), já não é tanto que tipo de doença é ou como nos afeta, mas sim como prevenir o seu contágio, sobretudo no mundo da saúde, que é o mais exposto a esta doença atualmente.
Temos claro que o coronavírus é uma doença respiratória, que os seus sintomas são: febre, tosse seca e sensação de falta de ar nos pulmões. A sua propagação é muito rápida, já que se propaga ao entrar em contacto direto com uma pessoa portadora da doença, que pode ainda não a ter manifestado.
Também sabemos que, uma das formas mais comuns de evitar o seu contágio são, segundo o Ministério da Saúde, Consumo e Bem-Estar Social: lavar as mãos com sabão frequentemente, evitar tocar em zonas como os olhos, nariz e boca, já que as mãos facilitam a transmissão do vírus; cobrir a boca e o nariz com o interior do cotovelo ao espirrar e usar lenços de papel descartáveis.
Mas, apenas o sabão e a água servem como medida preventiva contra o coronavírus?
É certo que nem sempre há um lavatório por perto para lavar as mãos depois de realizar certas atividades ou antes de as levar a cabo. Por isso, uma alternativa ao uso de sabão para desinfetar corretamente as mãos é o uso do gel desinfetante, um material cómodo, fácil de transportar e fácil de usar em qualquer situação em que não se tenha acesso a água e sabão.
O gel desinfetante é capaz de eliminar até 99,9% das bactérias, atacando também vírus como a gripe ou o próprio coronavírus. Para garantir a correta atuação do gel desinfetante, é imprescindível lavar as mãos entre 20 e 30 segundos, seguindo sempre as sequências recomendadas pela OMS.
Mas, nalguns casos, adotar estas medidas não é suficiente, é preciso implementar medidas de prevenção de riscos profissionais muito mais exaustivas e protocolares para que o pessoal dos setores laborais mais exposto ao coronavírus evite infetar-se.
Quais são as medidas de prevenção de riscos profissionais para os setores mais expostos ao coronavírus?
O Ministério da Saúde do Governo de Espanha entende como cenários de risco de exposição ao coronavírus os seguintes casos:
Exposição de risco: todo o pessoal dentro do âmbito sanitário, de transporte sanitário, tripulação de meios de transporte ou situações laborais em que é inevitável o contacto com uma pessoa que apresenta os sintomas da doença.
Exposição de baixo risco: trabalhadores que não têm contacto direto com uma pessoa afetada, seja no âmbito sanitário, de investigação ou outros.
Baixa probabilidade de exposição: trabalhadores que, pela natureza do seu trabalho, não estão em contacto com o público ou, se estão, estão a mais de 2 metros de distância ou encontram-se protegidos do contacto por medidas de proteção coletiva.
Para o caso dos trabalhadores que têm uma baixa probabilidade de exposição ao vírus, não se recomenda o uso de qualquer EPI, ainda assim, recomenda-se que, se se virem envolvidos numa situação em que se deparam com uma pessoa que apresenta sintomas e é pouco cooperativa, usem proteção respiratória e luvas.
Para os casos de exposição, seja em menor ou maior grau, recomenda-se o uso de um equipamento de proteção individual.
O que inclui o equipamento de proteção individual contra o coronavírus?
É importante que os equipamentos a usar protejam realmente do possível contágio do vírus. Por isso, antes de mais, é preciso assegurar que todo o material a utilizar como equipamento de proteção está corretamente certificado segundo o Regulamento (UE) 2016/425, ficando o material marcado com as siglas CE.
Portanto, antes de proceder à compra ou disposição de qualquer tipo de equipamento de proteção individual, é preciso verificar se está corretamente marcado com as siglas CE, assim se saberá que estão corretamente homologados e, portanto, cumprirão a sua função.
Como devem ser os EPIs escolhidos?
Devem garantir a máxima proteção.
Devem estar marcados com as siglas CE.
Devem estar corretamente colocados para que cumpram a sua função e se evite assim a entrada do agente biológico.
Recomenda-se que, por norma geral, os EPIs a serem utilizados para a proteção contra o contágio do coronavírus sejam descartáveis ou, na sua falta, que possam ser desinfetados após o uso.
Os EPIs que devem fazer parte do equipamento de proteção individual são:
Equipamentos de proteção respiratóriaDeve ser usada uma máscara autofiltrante do tipo FFP2 ou semi-máscara com filtro de partículas P2 se estiver em contacto direto, ou seja, a menos de 2 metros, com pessoas infetadas ou cujo caso esteja a ser estudado.Neste caso, os filtros das máscaras deverão ser de uso único e a limpeza da semi-máscara deverá ser realizada com os produtos prescritos pelo fabricante para evitar danificá-la.
Luvas de proteçãoDependendo do desenvolvimento das tarefas, podem ser usadas luvas descartáveis ou, pelo contrário, deverão ser utilizadas luvas mais resistentes para evitar rupturas.No caso de ter de desempenhar uma tarefa que requeira um alto nível de destreza, como pode ser o trabalho num laboratório ou durante o atendimento a um paciente, podem ser usadas luvas de uso único.No caso de desempenhar tarefas de limpeza e desinfeção, deverão ser utilizadas luvas resistentes a rupturas e mais grossas.Mas sempre, é preciso assegurar que as luvas de proteção, sejam de uso único ou mais grossas, cumpram sempre a norma UNE-EN ISO 374.5:2016.
Roupa de proteçãoO mais importante neste caso é escolher a roupa de proteção adequada que se encarregue de preservar a roupa de trabalho. Por isso, a indumentária escolhida deve ser capaz de proteger a pessoa que a usa contra o contacto com agentes biológicos externos.Estes EPIs devem cumprir a norma UNE-EN 14126:2004, pelo que devem ter superado uma série de ensaios que os tornem resistentes à possível entrada de microrganismos.Neste caso, recomenda-se que a roupa de proteção seja descartável, para evitar possíveis fontes de contágio na hora de proceder à sua desinfeção.
Proteção ocularPara uma correta proteção ocular contra líquidos e secreções, deve ser usado ecrãs faciais ou óculos integrais, a variação do uso de um ou outro EPI dependerá da sua hermeticidade e da zona que se quer proteger.Dependendo do tipo de proteção que se necessita, deverá ser utilizada uma, outra ou ambas as proteções.
Mas, para a correta proteção contra o possível contágio de coronavírus, não é só imprescindível um bom equipamento de proteção, mas também é imprescindível saber colocar e retirar o material de forma adequada.
É por isso que, na hora de escolher os EPIs destinados à proteção e prevenção, é preciso ter em conta que se trabalhará durante toda a jornada com esse material, pelo que deve estar colocado de forma correta para evitar que os agentes biológicos externos a que o pessoal possa estar exposto traspassem o material e, sobretudo, a indumentária deve ser estritamente confortável para que o pessoal possa desenvolver as suas funções de forma correta.
Na hora de retirar os EPIs é preciso ter cuidado, pois estes representam um foco de infeção através do qual o pessoal exposto pode contrair a doença. É por isso que as entidades devem desenvolver protocolos sobre a correta colocação e retirada dos EPIs, que devem ser supervisionados para assegurar que é realizado de forma correta.
O correto uso dos EPIs pode significar o sucesso na prevenção de contágios desnecessários, por isso é importante seguir todos os protocolos de segurança e escolher bem o material com que se vai trabalhar.
E por último, se existir a possibilidade, outra medida de proteção depois de estar em contacto com afetados pelo coronavírus seriam os chuveiros descontaminantes. Se não se dispõe de infraestrutura no local, existem no mercado alguns modelos de chuveiro descontaminante portátil, com uma fácil montagem em qualquer lugar.