Limpeza e desinfeção do local de trabalho

por Jorge Javier Carrión Gil o Oct 13, 2022

Em 2020, com o início da pandemia de COVID-19, a desinfeção de espaços públicos e residências tornou-se um assunto crucial para muitos de nós. No entanto, a limpeza e desinfeção dos locais de trabalho já faziam parte dos protocolos e planos de prevenção de riscos profissionais.

No artigo de hoje, vamos focar-nos na diferença entre limpeza e desinfeção no trabalho, analisar os riscos associados a cada uma delas e, mais importante, veremos como podemos preveni-los. Então, limpar e desinfetar não é o mesmo?

Limpar vs. desinfetar

Limpeza e desinfeção são duas tarefas que, apesar de serem diferentes, são muitas vezes confundidas. Por um lado, limpar permite eliminar elementos como pó ou gordura de uma determinada superfície. Por exemplo, limpar comida derramada numa mesa com água e sabão. Os produtos utilizados para a limpeza são sabões, desengordurantes, detergentes, etc.

Por outro lado, desinfetar permite destruir microrganismos prejudiciais como vírus e bactérias presentes num local. Por exemplo, limpar a comida derramada na mesa com lixívia. A desinfeção é realizada como complemento à limpeza com produtos que contêm pelo menos uma substância com capacidade para diminuir significativamente a quantidade de microrganismos. Os produtos com poder virucida (antissépticos e desinfetantes) estão descritos na norma UNE-EN 14476:2014.

Muitos produtos combinam um agente de limpeza com um desinfetante. Nestes casos, é importante ler o rótulo e verificar se contém a quantidade suficiente de desinfetante, caso o objetivo seja higienizar.

Quando desinfetar o local de trabalho?

Em muitas ocasiões, a limpeza é suficiente. No entanto, a desinfeção é contemplada em certas circunstâncias e setores particulares, nos quais é necessário diminuir consideravelmente a quantidade de microrganismos. Recomenda-se que, para além da limpeza, sejam desinfetados os locais e superfícies com grande tráfego de pessoas, com pouca ventilação ou especialmente expostos à proliferação de agentes patogénicos como casas de banho, botões de elevador, corrimãos… Claro, deixamos de lado aqui os setores profissionais com protocolos especiais de desinfeção, como centros de saúde ou laboratórios.

Por outro lado, desde o início da pandemia de COVID-19, o uso de géis hidroalcoólicos e géis higienizantes tornou-se democratizado. Isto reduz, sem dúvida, a quantidade de microrganismos presentes nas superfícies com maior tráfego de pessoas.

Riscos dos produtos de limpeza e desinfeção

Os produtos de limpeza são normalmente detergentes aquosos cujos ingredientes principais são agentes tensioativos capazes de dissolver gorduras na água. Adicionalmente, podem conter substâncias quelantes, conservantes, corantes, perfumes… Por tudo isto, os detergentes são produtos irritantes. Ou seja, podem provocar irritações ou reações alérgicas cutâneas ou respiratórias.

Por sua vez, os desinfetantes podem provocar lesões graves em caso de contacto com os olhos ou a pele. Por exemplo, o hipoclorito de sódio é muito irritante para os olhos. Combinado com uma solução ácida pode chegar a produzir um edema pulmonar agudo. Combinado com amoníaco pode irritar os olhos e as vias respiratórias.

Outros desinfetantes como o etanol ou o isopropanol (álcool de limpeza) são depressores do sistema nervoso central. A sua inalação pode produzir efeitos narcóticos, dor de cabeça ou irritação ocular ou das vias respiratórias. Trata-se, além disso, de líquidos facilmente inflamáveis que podem provocar um incêndio.

Medidas de prevenção com os produtos de limpeza e desinfeção no trabalho

Os produtos de limpeza devem ser escolhidos em função das características e da natureza do local de trabalho. Além disso, os desinfetantes devem ser selecionados em função da sua eficácia e do microrganismo que se pretende combater.

De forma geral, é importante que os responsáveis pela limpeza minimizem o contacto com os produtos e evitem a sua pulverização. Para isso, em vez de utilizar o pulverizador, aconselha-se a embeber o pano ou a esfregona diretamente com o produto.

No caso de ter que diluir o produto em água, isso deve ser feito evitando salpicos. Em caso de manipular produtos que provoquem lesões oculares, é necessário o uso de óculos ou proteção facial.

Para proteger a pele destes produtos, o uniforme de limpeza deve ser composto por um fato ou bata que cubra os braços e pernas e calçado fechado. Para a proteção das mãos serão necessárias luvas descartáveis contra químicos que protejam contra o produto manipulado.

Para reduzir os riscos de inalação, o local deve ser bem ventilado. Se isto não for possível, em caso de manipular amoníaco, poderá ser utilizada uma semimáscara com filtro contra amoníaco e seus derivados.

Por último, é importante lembrar que, em caso de ter que manipular produtos desinfetantes inflamáveis, os elementos inflamáveis devem ser removidos do local.

Como limpar a roupa de trabalho

Outra questão que pode levantar muitas dúvidas é a limpeza e desinfeção da roupa de trabalho. Os setores mais delicados, como o da saúde, possuem protocolos e processos industriais próprios para isso. No entanto, em outros campos, a lavagem do vestuário cabe ao próprio trabalhador.

Nestes casos, o mais importante é seguir as indicações do rótulo, onde se especifica, entre outros, a temperatura máxima a que se pode lavar ou com que produtos não se deve fazê-lo.

 

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