Riscos e tendências para a saúde ocupacional das mulheres
por Lorena Mosquera o Oct 18, 2015Março é o mês das mulheres. O que começou como um simples dia tornou-se algo muito maior, tudo graças ao esforço de milhões de mulheres que reivindicam os seus direitos. Embora o #8M já não seja conhecido como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, não podemos esquecer que uma parte importante dessas reivindicações nasce da necessidade de melhores condições de trabalho. Não se trata apenas de uma questão de respeito pelos seus direitos, mas também de garantir a sua segurança no ambiente profissional.
Não precisamos de ir muito longe para entender os desafios que as mulheres enfrentam. A pandemia e o confinamento que vivemos em 2020 e cujos efeitos ainda sentimos hoje são um claro exemplo do panorama laboral feminino. Por um lado, as profissões habitualmente desempenhadas por mulheres, como a saúde ou os serviços, foram cruciais para que todos nos mantivéssemos à tona. Ao mesmo tempo, isso significa que as mulheres foram as que mais sofreram as consequências da pandemia, pois estavam na linha da frente. A isso somou-se o encerramento dos centros educativos, a mistura entre as aulas tele presenciais e o teletrabalho. Em muitos casos, as tarefas domésticas e o cuidado dos mais pequenos recaíram sobre elas.
Também não é que estejamos a descobrir a pólvora. A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho estudou esta situação em detalhe. Quais são os obstáculos que as mulheres encontram no ambiente de trabalho?
Segurança no trabalho: as mulheres estão bem protegidas?
Existe a ideia de que os ambientes de trabalho onde as mulheres estão mais presentes são mais simples e seguros, mas nada poderia estar mais longe da realidade. As mulheres ocupam cargos no campo da saúde, investigação, construção e transporte, e esses não são os únicos que acarretam riscos para a sua saúde e segurança. Os setores da educação e da hotelaria, por exemplo, também têm de superar dia após dia os seus próprios obstáculos e riscos.
Não tenhas dúvidas: a segurança no trabalho não consiste apenas em prevenir acidentes e doenças. Hoje em dia, inclui também a necessidade das pessoas de que o seu emprego se adapte às suas condições físicas e psicológicas. Neste sentido, há muito trabalho a fazer para que as mulheres estejam devidamente protegidas. As medidas de segurança que tomas na tua empresa, o correto estado da maquinaria, ter as ferramentas adequadas, os níveis de ruído, de iluminação..., são alguns dos detalhes a ter em conta na hora de criar um ambiente de trabalho ótimo para as tuas funcionárias.
Por exemplo, se as tuas trabalhadoras passam muito tempo de pé, é importante que o calçado do seu uniforme seja confortável. As vendedoras e as empregadas de mesa passam assim muitas horas por dia, o que implica um esforço físico constante. Com o tempo, isso pode desencadear problemas para a sua saúde e diminuir a sua produtividade. As dores físicas são habituais no setor hoteleiro, ao ponto de serem consideradas doenças profissionais.
Em profissões onde o risco é maior, como é o caso da construção e da engenharia, o acesso ao ambiente de trabalho é mais complicado para as mulheres. Muitas não conseguem entrar em campos de trabalho maioritariamente masculinos, e as que superam essa barreira deparam-se com novos desafios que afetam o seu bem-estar, como a falta de equipamento, vestuário e recursos adaptados às suas necessidades.
É um exame que os setores sanitários e científicos aprovam com mais frequência. No entanto, não são os únicos que incluem o uso de químicos, e é que não podemos esquecer as profissionais de limpeza, que realizam um trabalho fundamental sem o qual muitos espaços seriam incapazes de funcionar corretamente. Apesar disso, muitas das mulheres deste campo dispõem apenas do mínimo para realizar o seu trabalho, ficando desprotegidas perante uma infinidade de riscos para a sua saúde.
Falamos do uso de produtos químicos, sim, mas também do transporte e deslocamento de pesos e do contínuo movimento que submete as tuas funcionárias e os seus corpos a muita pressão. Para garantir a sua segurança, nem todo o vestuário serve, mas sim que precisam de um adaptado às tarefas que realizam. Não podem faltar as luvas, o calçado antiderrapante nem as ferramentas para carregar com todos os utensílios de limpeza confortavelmente.
Quebrar o teto de vidro em segurança
Fala-se muito da necessidade de quebrar o teto de vidro. Atualmente, as mulheres ocupam menos cargos de responsabilidade e liderança do que os homens, e isso é algo que tem de mudar. Para que isso aconteça, a proteção laboral das trabalhadoras é imprescindível. Deve ser garantida desde o primeiro momento, e não pode acabar uma vez que o teto se quebre. A segurança no trabalho é uma questão que deve ser desenvolvida ao longo do tempo, melhorando pouco a pouco as medidas e condições sob as quais trabalhamos.
É uma questão que na Naisa levamos muito a sério. É por esse motivo que contamos com uma grande variedade de produtos, para assim cobrir as necessidades de diferentes setores.