Exposição ao ruído, causa de doenças graves
por Lorena Mosquera o Jan 26, 2016Na Europa, segundo um estudo, um em cada cinco trabalhadores é forçado a levantar a voz para conseguir falar com o colega durante o horário de trabalho, ou seja, 7% sofre de problemas auditivos. Entre os trabalhos com maior exposição ao ruído estão as obras de construção, em pistas de descolagem de aeroportos ou no porto; a Organização Marítima Internacional dá indicações aos navios para a redução do ruído.
Ao realizar uma Avaliação de Riscos Profissionais destinada a analisar o ruído, deve medir-se a intensidade em decibéis (dB), bem como a magnitude do perigo que este ruído implica, que está relacionado com o tempo que o trabalhador está exposto a ele. Não é o mesmo entrar numa oficina para realizar uma auditoria durante uma hora uma vez por semana, do que permanecer 7 horas exposto ao mesmo ruído; os danos auditivos não são iguais.
Doenças provocadas pela exposição ao ruído

Em primeiro lugar, ao pensar em doenças derivadas da exposição ao ruído, pensamos na perda auditiva, mas são muitas mais as afeções que o trabalhador pode sofrer.
A exposição a um ruído sem proteção adequada e durante muitas horas pode acelerar o pulso e provocar taquicardias, atingindo de 100 batimentos por minuto e até 400 batimentos por minuto. Este ritmo tão elevado dificulta que o coração não possa bombear sangue com altos níveis de oxigénio e o profissional sofra a longo prazo de tonturas ou tremores. Por outro lado, pode sofrer um aumento da frequência respiratória, que é conhecida como Taquipneia.
Não se sofrem apenas danos físicos, mas também psicológicos. Diante da exposição a altos níveis de ruído de forma prolongada, o estômago pode reagir segregando uma substância ácida e uma quantidade de hormonas suprarrenais, ou seja, os primeiros sintomas de alarme diante de stresse agudo.
Outro dano psicológico é a dificuldade em concentrar-se, que desencadeia uma diminuição do nível de rendimento e, por outro lado, pode aumentar o nível de ansiedade no profissional ao sentir-se incomunicável com o seu ambiente. Além disso, a exposição ao ruído de forma prolongada ocasiona irritabilidade, distúrbios do sono e as suas consequências como fadiga ou depressão.
Não podemos ignorar as doenças derivadas da perda auditiva, como o Zumbido ou Acufeno, que muitos de nós já sofreram em distintas ocasiões. É um ruído persistente semelhante a assobios que se produz no nosso ouvido. Se sentimos este zumbido de forma constante e todos os dias, pode ser um sinal de uma lesão do ouvido interno ou da cóclea, nesse caso o melhor é procurar um médico.
Outra doença é a Hipoacusia Sensorial por ruído, que provoca uma diminuição progressiva da audição. Em muitos casos, se tratada a tempo, é reversível, mas noutras ocasiões implica a perda da audição. Qualquer profissional que não utilize os Equipamentos de Proteção Individual indicados para proteger o ouvido e esteja exposto ao ruído permanentemente pode sofrer desta doença.
Proteger o nosso ouvido do ruído
Mas trabalhar exposto ao ruído não implica que o trabalhador sofra, obrigatoriamente, uma doença auditiva. Graças à proteção, pode-se evitar e trabalhar sem qualquer risco.
Existem dois tipos de proteção auditiva, passiva e não passiva. Esta última é dependente do nível e possui uma atenuação acústica que varia ao mudar o nível de ruído no posto de trabalho.

Entre os protetores passivos podemos encontrar protetores auriculares, que cobrem as orelhas e se adaptam à cabeça com almofadas preenchidas com espuma plástica. Outra opção são os tampões, que se introduzem nos ouvidos e bloqueiam a entrada de ruído. A vantagem destes é que costumam ser moldáveis e podem ser mais confortáveis para os trabalhadores.
Por outro lado, os protetores não passivos podem ser, de igual forma, protetores auriculares ou tampões, mas incorporam um sistema eletrónico de restauração do som, que regula a atenuação à medida que diminui o nível sonoro a que o profissional está exposto. Por sua vez, existem protetores auriculares e tampões que incorporam um sistema de comunicação, evitando o isolamento. Com este sistema, os profissionais não só podem enviar mensagens a outros colegas, mas também transmitem sinais ou alarmes em caso de risco.
Além disso, as zonas de trabalho onde o uso de protetores auriculares ou tampões é de uso obrigatório ou recomendado devem estar adequadamente sinalizadas e os encarregados ou responsáveis de zona deverão zelar pelo uso dos EPIs por parte dos trabalhadores.