Setor agrário, higiene e medidas preventivas
por Jorge Javier Carrión Gil o Jun 20, 2016Estamos habituados a abrir o frigorífico, tirar os legumes e preparar uma rica salada, poucas vezes nos damos ao trabalho de pensar no trabalho que se realiza no setor agrícola, os riscos que assumem neste setor e a maquinaria pesada que se emprega para colher cada fruta ou legume que vai da terra para a mesa. O setor agrícola é um grande esquecido quando pensamos em acidentes de trabalho, na sua prevenção e nos riscos que os trabalhadores assumem.
Segundo os dados extraídos da estatística de acidentes de trabalho e doenças profissionais realizada pelo Ministério do Emprego e Segurança Social, só na Extremadura, registaram-se um total de 2.073 acidentes de trabalho com baixa laboral nos setores da agricultura, pecuária e silvicultura entre janeiro e novembro de 2015, dos quais 2.031 ocorreram durante a jornada de trabalho. Dados que evidenciam a necessidade e preocupação pelos trabalhadores do setor e a proteção dos mesmos.
Acidentes causados por seres vivos
Assim é, pode ser surpreendente, mas é real, um dos acidentes mais comuns no setor são aqueles produzidos por seres vivos, segundo um estudo elaborado pelo Instituto Galego de Segurança e Saúde Laboral (Issga) em 2014. A pecuária é uma atividade económica de origem muito antiga, que se centra em manejar animais com a finalidade de aproveitar a sua produção, seja carne, ovos, leite ou outros produtos. Se por norma geral consideramos um cão ou gato, animais domésticos, que podem ter um carácter imprevisível, do mesmo modo são as vacas, as cabras ou os porcos.

Os acidentes mais comuns produzem-se durante atividades como o manejo do animal aquando de uma revisão veterinária, durante a limpeza do local onde reside o animal, nas ordenhas, amarrações ou na inseminação artificial. Os animais não são domésticos e não gostam de ser manipulados, entram num estado de stress e podem reagir com coices, chifradas, investidas ou empurrões, inclusive mordidelas ou pisadelas. Por esta razão, devemos lidar com a situação quando se trata de animais com muita prudência e ter presente que o seu comportamento é totalmente imprevisível, assim como extremar as precauções ao manipular zonas doloridas do animal ou delicadas.
Zoonoses de origem laboral
Além de procurar um cuidado aquando do manejo do animal, temos de ter presente a possibilidade de contrair uma infeção. As zoonoses são doenças de origem profissional e algumas delas aparecem como tal na lista de doenças profissionais causadas por agentes biológicos do Real Decreto 1299/2006, pelo qual se aprova o quadro de doenças profissionais no sistema da Segurança Social, e se estabelecem os critérios para a sua notificação e registo.
Cabe destacar, para que fique mais claro, que segundo a Organização Mundial da Saúde, as zoonoses definem-se como aquelas doenças que se transmitem de forma natural dos animais vertebrados ao homem e vice-versa. Por esta razão, devemos tomar e extremar as medidas ao lidar com animais, para evitar um possível risco biológico transmitido pelo animal, assim como pelos seus produtos, fezes ou o solo contaminado pelas mesmas. Por norma geral, os agentes infeciosos podem transmitir-se por via respiratória, digestiva, cutâneo-mucosa ou por inoculação acidental, como se produz com a Febre de Malta, ocasionada pela bactéria Brucella e transmitida por vários animais por produtos fecais, leite, sangue ou fezes.
Para prevenir um contágio durante o manejo de animais e as suas estadias, em primeiro lugar devem diagnosticar-se de forma precoce se o animal pode padecer de alguma doença, sobretudo naqueles que chegam novos ao recinto e mantê-los em quarentena até dispor dos resultados. Por outro lado, os trabalhadores devem usar equipamentos de proteção individual para evitar o risco de contágio como luvas, máscaras, calçado de segurança e macacões de trabalho ou descartáveis.
Por último, não esquecer desinfetar o habitat do animal para evitar que possa contagiar-se de qualquer agente tóxico e produzir a perda do gado. É importante trabalhar com máxima higiene nestes setores laborais, cumprir com a legislação vigente, tanto em matéria de prevenção de riscos laborais como de saúde, já que os produtos derivados destes animais estão destinados ao consumo humano.