A cozinha, um espaço pequeno e inúmeros riscos

por Jorge Javier Carrión Gil o Oct 30, 2017

A hotelaria e restauração inclui várias profissões: empregado de mesa, limpeza, barman… Mas quem assume mais riscos e é indispensável é o chef e a sua equipa de cozinha.

Dizem que a cozinha é uma arte, uma disciplina onde o stress é máximo e, num curto período de horas, se vive a grande velocidade. Não importa se é um restaurante de luxo, com 3 estrelas Michelin, ou o restaurante da esquina, quando os clientes estão à mesa, os pratos têm de sair.

Dentro da cozinha, a frase mais ouvida é “ouvido, cozinha!”, já o vimos em centenas de filmes e programas de televisão. Mas o que não vemos ou não estamos conscientes é do risco que uma equipa de cozinha assume todos os dias.

Riscos num pequeno espaço

As cozinhas, sejam de grandes ou pequenos restaurantes, costumam ser pequenas e, por vezes, com uma distribuição desequilibrada. Isto faz com que o espaço para trabalhar seja limitado e os acidentes podem ocorrer com maior facilidade. Além disso, é um trabalho onde o fogo, as panelas a ferver e os molhos podem transformar o dia de trabalho num campo de batalha.

Entre os riscos, os mais comuns são as quedas ao mesmo nível, por exemplo, ao escorregar em líquidos no chão. As queimaduras também são o pão de cada dia, seja por tirar apressadamente um assado do forno sem usar as luvas de proteção adequadas, o risco de derramar uma panela de cozido em ebulição ao bater no cabo ou, em bancadas de fogões, uma chama mais forte do que o esperado.

O fogo e o risco de incêndio estão presentes em espaços de trabalho como as cozinhas. Por esta razão, os chefs e cozinheiros, apesar de estarem sempre a correr de um lado para o outro a elaborar pequenas obras de arte, maximizam a precaução, tanto para não sofrerem uma queimadura como para não ferirem um colega.

Por outro lado, todos os fornos e fogões devem ser corretamente desligados, para evitar fugas de gás que acabem por provocar graves acidentes no restaurante.

Não podemos esquecer os talheres de todo o tipo. Os cortes são outro dos riscos clássicos dentro de uma cozinha. É comum que a pressa e os pequenos utensílios muito afiados possam causar cortes nos dedos. Para evitar estes pequenos acidentes, as facas, ferramentas de trabalho, devem ter um cabo antiderrapante. Além disso, quando se trata de cortes por usar máquinas, é necessário que estas tenham todas as revisões em dia e um adequado sistema de bloqueio.

Como se proteger na cozinha

Existem medidas preventivas que evitam estes riscos que mencionámos. Manter a ordem e a limpeza é fundamental para evitar escorregões e diminuir o stress. Além disso, aconselha-se em grandes cozinhas com uma equipa numerosa de ajudantes e cozinheiros que cada um tenha um posto de trabalho atribuído, para evitar percorrer toda a cozinha e bater em panelas ou em colegas que estão a manusear ferramentas cortantes.

Por outro lado, como equipamentos de proteção individual, recomendam-se jalecas e uniformes resistentes às lavagens. Tanto para evitar sujar-se como para manter a higiene. Por outro lado, um calçado antiderrapante e confortável, que permita mover-se com agilidade e passar várias horas de pé sem se preocupar com a saúde dos pés.

As luvas também aparecem no inventário de EPIs. Por higiene, para evitar contaminar os alimentos, utilizam-se luvas descartáveis. No entanto, para se proteger das queimaduras, usam-se as luvas de forno, que permitem tirar pratos do forno sem se queimar. Além disso, os cortes podem ser evitados utilizando luvas anticorte, sobretudo quando se manuseiam peças grandes de carne ou maquinaria.