Limpeza de piscinas e inalação de vapores
por Jorge Javier Carrión Gil o May 12, 2016Com a chegada da Primavera e do bom tempo, começamos a pensar nos fatos de banho e em quanto tempo falta para voltar a saltar para a piscina. Embora ainda tenhamos que esperar alguns meses para dar um mergulho, os operadores de manutenção e limpeza da piscina já estão a trabalhar. Não estamos conscientes do trabalho que realizam, dado que, ao chegar o verão, as nossas piscinas estão limpas e prontas para acalmar o calor, no entanto, os operadores de limpeza de piscinas assumem, como todas as profissões, riscos específicos e devem prevenir qualquer incidente.
Os postos de trabalho encarregados da limpeza de piscinas realizam dois tipos de tarefas. Por um lado, a limpeza diária das instalações e a limpeza sazonal ou anual do tanque. Para a limpeza, os operadores utilizam uma grande diversidade de produtos, como, por exemplo, desincrustantes, anticorrosivos, detergentes, antioxidantes ou biocidas, para preparar a água e eliminar qualquer microrganismo.
Proteção integral durante a limpeza do tanque
A limpeza do tanque implica o esvaziamento total da água da piscina através de bombas e a consequente limpeza com detergentes ácidos. Um dos maiores riscos que o trabalhador corre é a possibilidade de inalar o vapor libertado por estes detergentes, que são nocivos e tóxicos e podem atacar a pele, os olhos e as vias respiratórias. Portanto, requerem uma proteção integral que consiste num macacão que protege de projeções químicas, óculos estanques, máscara completa e calçado especial.
Outro dos riscos a que o operador de limpeza de piscinas está exposto é o risco persistente de incêndios. Estes podem ocorrer devido a uma falha elétrica ou um curto-circuito na casa das máquinas ou na iluminação da piscina. Este risco pode causar hipóxia ou falta de oxigénio, bem como a inalação dos vapores dos produtos tóxicos armazenados.
Apesar de tudo isto, segundo um estudo da Mapfre sobre a situação do setor de manutenção e conservação de instalações aquáticas em matéria preventiva, o risco mais comum de acidente para os trabalhadores deste setor, com 27%, é o risco de quedas, seguido de golpes e cortes com 21% e a exposição a produtos químicos com 11%.
A exposição ao cloro
Quem nunca entrou na piscina e comentou "tem demasiado cloro". O processo de cloração da água é um tratamento desinfetante, de facto o mais utilizado nas piscinas. O processo é muito simples: quando o cloro é adicionado à água, reage com as substâncias nela dissolvidas, como matéria orgânica e amoníaco, gerando cloraminas, o que leva à desinfeção da água. De acordo com a tabela de Limites de exposição profissional para agentes químicos em Espanha para 2007, o valor limite de referência em exposições ao cloro de curta duração (quinze minutos) é de 1,5 mg/m3 (0,5 ppm).
Quando este produto é aplicado, os trabalhadores estão expostos a inalar os vapores e a sofrer, entre outros, problemas respiratórios. Para prevenir possíveis riscos derivados do uso do cloro nas piscinas, os profissionais devem ter as fichas do produto atualizadas que utilizam, assim como um manual ou instruções de uso correto. Além disso, para utilizar o produto num espaço com ventilação adequada ou, na sua falta, que disponha de extração de ar, serão utilizados equipamentos de proteção individual como máscaras especiais para cloro e óculos panorâmicos ajustados ao rosto com banda de borracha, como um único equipamento.
Os operadores de limpeza de piscinas devem ter formação adequada para manusear corretamente produtos como o cloro, a fim de evitar riscos para a sua saúde e para aqueles que usarão a piscina. Um pequeno aumento nos níveis de cloro pode causar acidentes, como o que quase aconteceu no verão de 2015 nas instalações do parque aquático de Benidorm, Aqualandia, onde 13 pessoas foram transportadas para o hospital mais próximo após inalarem gases de cloro.