Fumos e gases, riscos para o soldador
por Jorge Javier Carrión Gil o Aug 11, 2016Oficinas de reparação automóvel, indústrias petroquímicas, o setor naval e até mesmo as profissões ligadas à construção em geral e, em particular, à construção de estruturas metálicas, necessitam nas suas equipas de soldadores profissionais. Uma profissão que, atualmente, se encontra entre os trabalhos com maior sinistralidade devido a acidentes de trabalho.
De acordo com os dados do Ministério do Trabalho e Imigração, do total de acidentes ocorridos em Castela e Leão, mais de metade ocorreram nestes dois setores. Portanto, a profissão de soldador deve ser levada muito a sério, tanto pelo profissional como pela empresa que contrata estes serviços profissionais. São trabalhos que, se mal executados, sem as medidas preventivas adequadas, podem causar a morte.
Em muitos casos, a empresa não proporciona a formação adequada em termos de medidas preventivas que o trabalhador deve respeitar e cumprir, o que resulta num mau conhecimento dos riscos que assume, apesar de ser um soldador experiente. Da mesma forma, a sinistralidade aumenta pela não utilização de equipamentos de trabalho que cumpram a legislação de segurança e uma utilização inadequada de protocolos de atuação em trabalhos especialmente perigosos como, por exemplo, os trabalhos de soldadura em altura ou em locais confinados, que implicam um risco acrescido, por um lado, no próprio trabalho de soldadura e, por outro, em todo o risco decorrente de trabalhar num espaço confinado.
Exposição a contaminantes químicos
Quando pensamos numa soldadura, visualizamos como primeiros riscos os que decorrem de um acidente com a maquinaria ou relacionados com queimaduras, mas é difícil aperceber-se de que existem outros riscos graves como a exposição a contaminantes químicos.
Ao realizar este trabalho, o soldador fica exposto a fumos e gases, que se originam ao soldar o material e ficam no ambiente de trabalho. É importante que estes gases não sejam respirados pelo trabalhador, seja o soldador ou colegas que se encontrem perto da operação de soldadura. A inalação pode levar a perturbações de saúde como intoxicações agudas e doenças profissionais, de natureza muito diversa dependendo das condições particulares de trabalho.
Por esta razão, é importante minimizar os riscos e diluir estes gases que, na sua maioria, são óxidos de ferro, fumos de alumínio, fosgénio ou fluoretos, incluindo fumos radioativos. Para isso, deve ser aplicada ventilação localizada, que consiste em criar correntes de ar que atuam diretamente sobre o foco da contaminação, aspirando os fumos produzidos ao soldar. Para isso, podem ser utilizadas mesas de soldadura com aspiração, cabines de soldadura ou campânulas móveis de aspiração. Além disso, deve ser assegurado que no local de trabalho exista ventilação geral, para isso as soldaduras devem ser realizadas num local com as dimensões adequadas, uma distribuição favorável dos postos de trabalho dos soldadores e o isolamento da secção de soldadura dos restantes postos de trabalho, para evitar que esses fumos cheguem a outros trabalhadores alheios a esse posto.
Além disso, nos trabalhos de soldadura, serão usados, a título complementar às medidas expostas, nunca como substitutos, equipamentos de proteção individual como luvas de resistência térmica ou anticalóricas segundo a norma EN 407 ou máscaras autofiltrantes para partículas com proteção mínima FFP2.