Doenças profissionais associadas ao setor metalúrgico
por Lorena Mosquera o Feb 25, 2016A sinistralidade no setor do metal tem sido, infelizmente, um dos setores mais afetados por acidentes de trabalho ou doenças profissionais, especialmente as empresas de fundição de alumínio. De facto, o uso de amianto e uralite foi proibido devido ao risco cancerígeno que representava para os trabalhadores.
Dentro dos riscos que os profissionais do setor do metal sofrem encontram-se, na maioria dos casos, os cortes e perfurações, os golpes, as quedas de objetos, materiais ou ferramentas, os entalamentos ou esmagamentos por equipamentos ou maquinaria, as queimaduras, as quedas ao mesmo nível, a projeção de partículas ou pedaços de material e os sobre-esforços por manipulação manual de cargas. No entanto, não podemos deixar de lado as doenças profissionais que afetam estes trabalhadores, que se agrupam em riscos higiénicos e riscos ergonómicos.
Riscos higiénicos associados ao setor do metal
Podem distinguir-se três grupos dentro dos riscos higiénicos: agentes físicos, como pode ser o elevado ruído associado a trabalhos de caldeiras, fundições, forja ou estampagem, destacando que a perda de audição provocada pelo ruído é a doença profissional mais comum na União Europeia. Por outro lado, os agentes químicos, que se associam à absorção de tóxicos, estes penetram por via respiratória em forma de gás, vapor ou aerossol e inclusive por via dérmica. Por último, os agentes biológicos, que não são os mais abundantes no setor do metal, podem ser derivados da exposição ao tétano, vapores de água ou legionela e riscos derivados da contaminação microbiana dos óleos ou líquidos de corte por bactérias ou fungos.
Para prevenir estes riscos é necessário que os trabalhadores contem com um equipamento de proteção individual (EPI) adequado, desde protetores auriculares para proteger do ruído, máscaras ou máscaras respiratórias completas, botas de segurança com biqueira de metal, para prevenir as quedas de objetos ou golpes contra objetos, assim como luvas de segurança e vestuário apropriado, inclusive em determinados postos de trabalho será necessário usar macacões ignífugos.
Doenças profissionais associadas ao setor do metal
As doenças profissionais que podem sofrer os trabalhadores do setor do metal destacam as doenças respiratórias, do sistema nervoso, cancro, doenças da pele ou hepáticas e renais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada ano ocorrem mais de 2.500.000 de doenças relacionadas com as vias respiratórias na indústria do metal, entre elas, de caráter crónico relacionadas com a exposição a gases, vapores ou fumos, por esta razão é imprescindível a proteção com máscaras adequadas.
A doença mais famosa e que mais problemas causou durante anos neste setor é a Silicose, de caráter irreversível, que se produz pela inalação de partículas de sílica que emergem ao realizar atividades como cortar, partir, esmagar, perfurar, triturar ou quando se efetua a limpeza abrasiva de materiais com sílica cristalina.
Os primeiros sintomas podem aparecer aos 15 ou 20 anos após a exposição, incluem dificuldade para respirar, tosse forte e fraqueza. Conforme a doença se agrava, pode aparecer febre, perda de peso, suores noturnos, dores no peito e insuficiência respiratória.
Para prevenir a Silicose é imprescindível controlar a exposição ao pó e reduzir a sua presença nos locais de trabalho, instalar controlos técnicos e métodos de contenção para evitar que o pó escape para o ar. Além disso, evitar respirar o pó para o qual é necessário usar máscaras respiratórias com fornecimento de ar, tomar banho ou lavar-se, assim como vestir roupas limpas antes de sair do trabalho.
É importante tomar medidas preventivas para evitar doenças profissionais no setor do metal, já que são doenças de caráter grave e em muitos casos mortais.