Resíduos Sólidos Urbanos e riscos do aterro sanitário
por Jorge Javier Carrión Gil o Nov 03, 2016O meio ambiente e a preocupação com a sua conservação desenvolveram novas indústrias e postos de trabalho, entre eles, operadores de aterros sanitários ou de classificação de resíduos em estações de resíduos sólidos urbanos, assim como gestores de resíduos perigosos. O meio ambiente corre um risco, mas, ao mesmo tempo, gera um risco em determinados postos de trabalho.
Aterro sanitário
Os resíduos sólidos urbanos, conhecidos como resíduos domésticos na Lei 22/2011, de 28 de julho, de resíduos e solos contaminados, são definidos como “aqueles que são gerados nas atividades desenvolvidas nos lares em consequência das atividades domésticas. Consideram-se também resíduos domésticos os similares aos anteriores gerados em serviços e indústrias.”
Em casa, apenas nos temos de preocupar em separar o papel, o plástico, as embalagens e o vidro dos RSU, para os depositar no contentor apropriado, mas desconhecemos todo o processo que vem a seguir. Estes resíduos chegam a grandes estações de classificação e aterros sanitários, onde trabalham centenas de pessoas.
Entre os postos de trabalho encontram-se os operadores que manuseiam maquinaria pesada dentro do aterro sanitário, com o fim de compactar os resíduos orgânicos. Estes trabalhadores sofrem o risco próprio de manusear maquinaria pesada como uma carregadora, que incluem quedas de diferente nível, vibrações ou ruídos. Além disso, expõem-se aos odores próprios do aterro, assim como ao risco de contrair qualquer infeção bacteriológica.
O lixo, no seu processo de percolação, emite um fluido chamado lixiviado, que deve ser tratado, e gera um risco químico para o trabalhador. Além disso, o biogás deve ser transportado por canais preparados para tal efeito, evitando qualquer fuga.
Estação de classificação de resíduos sólidos urbanos
Os RSU não chegam e vão diretos para o aterro, previamente passam por um sistema de classificação levado a cabo por operadores. O lixo é despejado sobre umas cintas transportadoras de onde os operadores, à mão, vão separando aqueles resíduos como o vidro, plástico ou papel, dos RSU que irão para o aterro. Durante este processo, além do mau cheiro, os profissionais veem-se expostos a cortes, infeções por agentes biológicos ou intoxicações. Por esta razão, devem usar vestuário de trabalho adequado e EPIs como luvas, botas de segurança, óculos de proteção e máscaras.
Os camiões que chegam à estação com os resíduos classificados são despejados nos espaços atribuídos para o efeito. No caso do papel, este é compactado e armazenado numa parte do pavilhão, à espera de ser transferido para a sua gestão. Enquanto o vidro e o metal são encaminhados para outros pontos, ficando o lixo separado. O transporte dos fardos de papel compactado é feito manualmente ou com maquinaria pesada.
É importante nestes locais manter ao máximo a ordem e a limpeza, evitando derrames de óleo de maquinaria pelo chão, que podem provocar quedas; ou restos de lixo orgânico, para prevenir pragas de animais que desembocam em infeções.
Após um dia de trabalho
Um dia de trabalho numa estação e aterro de classificação de lixo é bastante duro, sobretudo no verão, que com o aumento das temperaturas os odores disparam.
Como em qualquer trabalho, aconselha-se que ao terminar o dia de trabalho o trabalho não seja levado para casa; neste caso, devem-se condicionar os balneários com chuveiros para que os trabalhadores possam trocar de roupa e ir para casa limpos. Além disso, o vestuário de trabalho deve ser lavado no centro de classificação, portanto deverá contar com uma lavandaria. Não se recomenda este tipo de roupa de trabalho com a roupa de rua, pelo seu nível de toxicidade acumulada. Da mesma forma, requer detergentes especiais que poderiam danificar o funcionamento das máquinas de lavar comuns.