Roupa de trabalho ignífuga e antiestática

por Jorge Javier Carrión Gil o Aug 04, 2021

Ocasionalmente, temos destacado a importância do vestuário de trabalho como a primeira linha de proteção do trabalhador contra possíveis danos, uma vez que a sua qualidade, adequação e manutenção correta podem determinar se um acidente ou incidente é mais ou menos grave. Esta afirmação adquire especial relevância quando falamos de setores em que, pela natureza do trabalho, os trabalhadores estão continuamente expostos a riscos de maior dimensão do que a maioria dos trabalhadores, como soldadores, indústria petroquímica, indústria elétrica, fundições e pirotecnias. De seguida, gostaríamos de falar sobre a importância do vestuário ignífugo e antiestático.

Nestes setores, é obrigatória a utilização de vestuário de trabalho ignífugo e antiestático, uma vez que os trabalhadores estão expostos ao contacto com chamas, calor, salpicos de metal fundido e eletricidade. Desta forma, estas peças de vestuário tornam-se um elemento essencial nos planos de prevenção e estão sujeitas a uma normativa específica quanto a requisitos e padrões de qualidade. O facto de uma peça de vestuário oferecer proteção ignífuga significa que é fabricada com materiais que não inflamam, limitam a propagação da chama por serem retardantes ao fogo e os tecidos não permitem a penetração de substâncias químicas perigosas ou salpicos de metal fundido. Ou seja, deve proteger contra os três tipos de calor (condutivo, radiante e convectivo) e também contra os salpicos.

A normativa específica para o vestuário ignífugo é a EN11612 que analisa e estabelece as propriedades de proteção das peças de vestuário, os tecidos de proteção e acessórios, contra o calor e a chama. Além disso, são verificados em laboratórios oficiais que reúnam valores mínimos em termos de resistência, encolhimento e vida útil das peças.

Por sua vez, o vestuário de trabalho antiestático tem a função de dissipar a carga eletrostática que se pode gerar em determinadas condições de trabalho, uma vez que estas peças de proteção dissipam a eletrostática, sendo o seu uso obrigatório em indústrias onde se manipulam substâncias explosivas, ou onde se formam gases e pós finos que possam ser combustíveis. Estas peças têm uma normativa específica (EN 1149-5) e o mais comum é encontrar peças que reúnam as duas características, sendo os materiais mais utilizados o algodão tratado quimicamente, a modacrílica (uma fibra que resiste bem ao fogo) ou a aramida (outra fibra também resistente ao calor e de grande robustez e resistência). Entre o tipo de peças que podemos utilizar encontramos:

  • Blusões e parkas: podemos encontrar casacos de trabalho de uma só cor ou até que também reúnam a característica de ter elementos de alta visibilidade, bem como parkas que proporcionem maior proteção contra o frio e ofereçam proteção impermeável.
  • Calças: os modelos de calças tentam unir as características técnicas deste tipo de peças com o conforto que qualquer calça de trabalho precisa, como múltiplos bolsos e cintura ajustável.
  • Camisas: embora quando falamos de peças ignífugas e antiestáticas costumemos fazê-lo pensando em peças exteriores, também é necessário completar a farda com elementos que permitam, se necessário, tirar o blusão ou parka mantendo um certo nível de proteção. Da mesma forma que os blusões ou parkas, estas camisas podem incluir ainda elementos de alta visibilidade.
  • Fatos-macaco: oferecem a vantagem de proporcionar proteção completa do corpo do trabalhador numa só peça, sendo muito práticos na hora de ter que se vestir com roupa de proteção de forma rápida.

Também existem acessórios ignífugos para o vestuário de trabalho que cumprem os requisitos exigidos, como é o caso da roupa interior, uma vez que, por vezes, a roupa interior de uso comum contém elementos ou materiais na sua fabricação que podem ser inflamáveis ou acumular eletrostática.

Ropa ignífuga y antiestática Naisa

Importa referir que o vestuário de trabalho para soldadores requer uma certificação própria, EN ISO 11611, que atesta a proteção do trabalhador contra a formação de faíscas e o contacto breve com o fogo, e reduz o risco de descarga no caso de ocorrer um contacto acidental com uma fonte de eletricidade. Divide-se, por sua vez, em Classe 1 (oferecem proteção quando são utilizadas técnicas de soldadura menos perigosas) e Classe 2 (quando as técnicas de soldadura implicam um risco adicional porque a geração de faíscas e calor é consideravelmente maior).

Além de cumprir com a normativa que vimos, é necessário que o seu design, utilização e manutenção sejam adequados para manter o nível de proteção que oferecem. Por exemplo, os bolsos destas peças devem ser os mínimos necessários e estar cobertos por uma camada de tecido mais larga do que a abertura do bolso, e todos os elementos que incluam, como botões e fechos, não podem constituir um elemento de risco ou condução de calor ou eletricidade. A utilização deve ser a correta, permitindo liberdade de movimentos mas sem ser demasiado folgada, o tamanho deve ser o correto para que o corpo do trabalhador seja coberto de forma adequada.

Quanto à manutenção, embora este tipo de tecidos, dada a sua natureza e função e por terem sido tratados quimicamente, sejam mais resistentes e ofereçam uma durabilidade superior a outras peças, devem ser tratados de forma adequada para manter as suas características ignífugas e antiestáticas. O recomendável é seguir as instruções de manutenção e lavagem do fabricante, mas, em geral, recomenda-se lavar estas peças separadamente e do avesso, evitando produtos de limpeza como lixívia e água oxigenada ou detergentes que os contenham, e a utilização de amaciadores.

Dejar un comentario